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Imersão Conexão Feminina: o que encontra partilha na palavra e o que habita o indizível

Cabe "começar do começo": vale contar de cara que minha ida ao evento que vou trazer aqui foi algo que cocriei junto ao Universo, mesmo tendo encontrado obstáculos na lógica aqui da terceira dimensão onde vivemos. E assim foi.


Entre os dias 15 e 19/06/2022 participei de uma imersão promovida pelos Saberes Femininos Aplicados, "casa" onde me formei terapeuta, onde sou professora de Bruxaria Natural e onde re-criei laços com mulheres que estão - não duvido - na minha linhagem ancestral através dos tempos.


Foi a primeira vez, após 2 anos de conexão virtual, que pude olhar para muitas delas nos olhos, senti-las, abraçá-las, ser abraçada e sentida. Quanta potência.


Venho aproveitar hoje, ainda no furor de todo o sentido ali para contar um pouco como foi e tentar partilhar com você, amada leitora, através de um exercício que a convido gentilmente a fazer.


Calma. Respira beeeem fundo nesse ponto e se libera de qualquer obrigação. Lê comigo esse relato, eu no meu tempo de escrita, você no seu de leitura e - se sentir - responde para si algumas perguntas que eu vou fazer enquanto partilho.


Pega um caderninho aí, separa um lápis. Anota. Responde depois, se tiver vontade, ouvindo uma playlist bem gostosa. Se deixa embalar nessa onda do que eu trago, assim eu vou ter contribuído de alguma forma para a tua cura, para a cura do planeta - já que comecei pela minha.


Dia 15, quarta-feira, eu fui agraciada por uma carona amorosíssima de Marília, mulher que eu nunca tinha visto pessoalmente e que se propôs a me levar, sem queixar do meu atraso de mãe que se perdeu na rotina. Atrasei 20 minutos. Marília me esperou e me recebeu com sorriso no rosto. O motorista do Uber era numerólogo e falava muito, muito mesmo; pouquíssimo ouviu do pouco que eu falei. Mas a Marília estava na outra ponta, tendo paciência comigo, daí eu tive paciência com ele.


Já pensou sobre isso? Quantas vezes te falta a paciência que você

gostaria que os outros tivessem contigo?


Outras mulheres se juntaram a nós no carro e seguimos numa viagem bem humorada até o CEE.


Na chegada lá, amor e re-encontro; beijos e abraços cultivados há dois anos germinando ali.


Na quinta-feira, Mayara Rosa nos guiou numa meditação sobre alegria e tivemos a potência de Diana Mosso que nos aprofundou nos conceitos dos arquétipos das 4 fases da mulher. E eu perguntei para mim, e pergunto para ti (não precisa me contar, se não quiser):


O que falta para a menina em você

recuperar a alegria?


Onde está a donzela em você, para te impulsionar

em busca dos seus sonhos?


Você é capaz de celebrar a vida, expandir e reconhecer a beleza de ser nutridora quando visita seu aspecto de mãe?


Com que frequência você se permite o recolhimento e o contato com a sabedoria da

anciã que te habita?


Ainda na quinta, Daniela Cota nos conduziu por sua medicina, a biodanza, e fez nosso corpo dançar livre. A gente foi livre ali de uma forma que só quem já esteve em um círculo de mulheres sabe dizer.


Você dança sua vida? Experimenta aí dançar "como se ninguém estivesse vendo".


Na noite de quinta-feira nós nos reunimos em volta da fogueira para participar de um ritual de consagração da medicina do Cacau. Quanto amor senti.

Essa foto é uma prova material de que coisas mágicas aconteceram nessa cerimônia do Cacau. Eis que minhas ancestrais se manifestaram nessa foto.
A anciã que me habita: claramente fui visitada por minhas ancestrais nesse momento

Me percebi julgando uma mana que estava no círculo cantando, porque EU achava que não era hora de ela puxar o cântico, já que a condutora do ritual era outra mulher, a minha mestra amada Jamille Berbare. "Que aparecida", pensei sobre a moça que cantou; não demorou um minuto inteiro até a força do momento tocar meu coração para dizer:


Por que a postura de outra mulher te incomoda?


Por que você não consegue simplesmente viver os seus processos internos sem apontar o dedo para o externo, sem julgar outra mulher?


E aí a mágica se fez: olhei de novo para aquela mulher e pensei: "é mesmo, né? Deixa a mulher, Aline!" de observá-la, eu me enxerguei, me percebi e me curei. Que leveza essa consciência me trouxe. Quanto amor e gratidão eu emanei para ela ali que, sem nem saber, acendeu uma centelha divina de cura em mim. Salve, Ixcacao.


Na sexta-feira, dia 17, falamos de gestação, parto, pós-parto e demos voz às sensações que tantas das mães ali tinham, inclusive Jack, nossa mãe nutridora personificada que participou da imersão inteira com sua filhinha Odara a maior parte do tempo no colo e no seio. Nos aprofundamos na Medicina Feminina Andina com Jamille e, quem teve força (eu precisei dormir um tico) dançou mais com a Dani.


Eu não dancei mais naquele dia porque eu sabia que eu precisava me resguardar para o que estava por viver. Na noite de sexta-feira eu morri.

Conduzida e amparada por Rayan e Rafael, vigiada pelas irmãs que se fizeram guardiãs, consagramos Ayahuasca. Foi a minha primeira vez e foi como foi. Morri, mana. EU MORRI. A Aline que eu fui ficou ali, naquela testa grudada no chão frente ao altar do feminino, na dança ao redor do caldeirão incandescente, no pranto incontrolável e a testa novamente grudada no chão frente ao altar do masculino. Transcendi.


Morri e renasci com experiências que moram no campo do indizível, do inexplicável, do que transcende o tempo e o espaço. Renasci das experiências que vivenciei na força dessa medicina sagrada. Renasci da visão da protetora espiritual que eu sonhava ver. E vi. Re-vivi. Do pranto da minha alma que atravessou o salão, da batida do tambor de Rayan das velas acesas por Rafael, do amparo e da guiança ali presentes eu renasci.


Do que consigo dizer e partilhar, te pergunto:


Você honra a sua ancestralidade?


Você reconhece a bênção que é estar viva?


Você se lembra de agradecer por partilhar a vida com seus seres amados?


Sua mãe, seu pai, seus avós maternos, seus avós paternos e todos os que vieram antes deles se esforçaram para que você estivesse aqui, viva, respirando e me lendo agora.


Você vive uma vida que vale a pena tanto esforço?


Vai, amada. Honra tua vida.


Eu renasci naquela cerimônia de Ayahuasca para honrar a minha vida e isso é tudo o que encontra palavras dentro do muito que senti naquele rito.


O sábado foi de aula de massagem tântrica com a mulher orgástica que é Aysha Almeé, acompanhada pelo amoroso Bruno, que cederam seu conhecimento e corpos a serviço do amor do ofício de ensinar o poder através do prazer, que é sagrado.



À noite celebramos Yule, tendo como sacerdotisas Vivi Macedo e Cacau Mattos. Não bastasse todas as bênçãos, me julguei por um momento (a mim dessa vez, muito mais que ao grupo) e recebi de presente da Vivi a seguinte fala: "eu estou aqui fazendo o que me cabe". Tem noção, irmã, da potência dessa fala?


Você consegue se liberar de carregar a necessidade de ser a "carpinteira do Universo inteiro" e fazer aquilo que lhe cabe, preciosa?


No domingo, foi dia de ouvir de Mari Cogswell o acalento e a conexão. Foi hora de entender o fio da tessitura de tudo o que foi vivido. Trago aqui algumas falas dela, para você sentir reverberar aí:


"O discernimento não é cognitivo. É íntimo."


"Acesso o aprendizado que me corresponde." (alô, Vivi Macedo: eis o embrulho do presente que você me entregou na noite anterior).


"Eu sei. Não porque entendo, mas sei porque sinto."


"É preciso receber, descansar e assimilar."


Ainda nessa tarde de fenômenos femininos, nossa mestra Marisa Perrone nos lembrou que estávamos ali para mudar o mundo.


Por surreal que possa parecer, mana, entendi de fato ali essa coisa da cura planetária, porque algumas pessoas muito íntimas - em especial meu companheiro de vida, amigo, amante e grande amor, Eduardo - sentiram reverberar de seus lugares o hiato de tempo ancorado no amor que eu vivi nessa imersão.


Estivemos num lugar fora do espaço e vivemos dias fora do tempo para experienciar uma cura profunda, que trouxe a cada uma de nós transformações que a gente pode ainda nem saber nomear, mas que estão gravadas no nosso DNA de mulher.


Por aqui, sigo deixando reverberar, integrando, sem pressa de saber o que fazer com tudo isso que aprendi na pele e senti na alma. Deixo fluir.


Espero que você tenha sentido essa frequência por aí.


Um grande e fraterno abraço na enorme gratidão por quem esteve comigo nessa imersão e também por quem não esteve, mas veio aqui ler e dessa maneira se juntar nesse sentir.



É na vibração do amor que a gente se cura. E cura o mundo.


Aha.